O preço do cretinismo

Quão horrível deve ser passar uma vida inteira buscando a aprovação alheia, submetendo-se a todo tipo de humilhação – aceitável do ponto de vista da aprovação social em determinados grupos – e chegar à velhice tendo se tornado um ser abjeto, conivente com todo tipo de ilícitos e iniquidades, presa às correntes que forjou durante todo o tempo em que buscou ser igual àqueles que não têm boa imagem.
Nessa velhice, onde a solidão mostra a fatura do cretinismo, não adianta dizer que “não sabe”, que “foi enganada”, que “não fez nada”. É nessa velhice que os fantasmas dos inocentes aparecerão para cobrar justiça. É nessa velhice que o remorso corrói a esperança de uma pós-vida tranquila – sua própria consciência jamais permitirá o descanso eterno enquanto suas crueldades e suas omissões não forem devidamente perdoadas.
Curvada por seus pecados, no bolor da solidão e do abandono, sua figura nefasta serve apenas para reflexões alheias sobre o que não fazer para ser um indivíduo envelhecido e descansado, perdoado e feliz.

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