Curvas

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Essa curvas também abrigam o desejo, a luxúria e a delicadeza. Esses seus vales, por vezes tão profundos e às vezes tão rasos, escondem incertezas que nos une em noites frias, de terror ou efêmero temor, e nos separa em manhãs de verão à beira-mar. Teu corpo, papel de toda cor, é desejo, amor e fumaça.
Não seria certo, dentre tão poucas certezas, que deixássemos teus olhos mirando só o agora quando o futuro demora tão pouco para chegar. Não seria justo que nos deixássemos tão justos em roupas de ontem, em distâncias de outros, em corpos multicoloridos que já se foram.

Então veste um jeans, calça um All Star azul, prende os cabelos com óculos de sol e deixa que o tempo role nessas curvas – deixa que o tempo envelheça no seu caminhar entre os lagos. E quando sentar, para admirar o mar da Atalaia, não esquece que é o agora, viajante de maresia, que abraça essas suas tão perigosas curvas.

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