Só o Aedes saberá

O desastre da moda é a microcefalia nos recém-nascidos nordestinos e, graças a Deus, essa praga não chegou ao Sul e Sudeste (e o medo que isso se espalhe faz com que a mídia sulista fique excitadíssima). O Aedes Aegypti é boi de piranha de uma sociedade relapsa que já estava acostumada com os breves acessos de dengue durante o verão, em todo o país. 
O que a alvoroçada mídia não cita, e assim que aparecer uma tragédia suculenta logo irá esquecer, é que um dos problemas a longo prazo é o que fazer com as crianças microcefálicas que já nasceram e que apresentarão retardos no aprendizado e na vivência social visto que, embora sejamos "sem preconceitos", ninguém aguenta, por muito tempo, a não ser por obrigação, suportar crianças e adultos mentalmente problemáticos.
O que será feito para compensar um cérebro menor? A APAE ou a AACD vão incorporar essas crianças? Sim, porque as escolas não estão, e demorará muito ainda, preparadas para receber e promover o desenvolvimento intelectual desses indivíduos.
O certo, para as mulheres que ainda não engravidaram, é não engravidar até a ciência descobrir a extensão do Zika. Às que não têm outra solução o jeito é começar a se preparar para um futuro árduo e trabalhoso onde o Estado não oferecerá muitas oportunidades e a mídia emudecerá ante o tão pouco que é a vida de um humano mentalmente deficitário.
O Zika segue causando rebuliço até ser normal e aprendermos a viver com ele e com as crianças doentes. O que virá depois, só o Aedes sabe.

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