A Comissão Chapeleira



Em 1982, na Suécia, Gabriel García Márquez expôs a solidão das Américas Central e do Sul por meio de seu discurso na cerimônia de premiação do Nobel de Literatura. Tranformou em palavras e números séculos de exploração e um finitude de governos ditatoriais que fez sangrar o mar do caribe, as grandes altitudes chilenas e o clima muito mais ao sul do equador. 
Mais de trinta anos se passaram e o fantasma da dor, da tortura e da luta por uma vida livre das opressões e das violências cometidas por ditadores ainda ronda as Américas, impedindo a discussão sobre vários aspectos de uma época sombria da história americana.
Mais de trinta anos depois surge A Comissão Chapeleira
O livro 2 de A Arma Escarlate explora com delicadeza a luta contra um regime ditatorial, o estupro, o massacre de crianças e adultos e a fragilidade dos Governos diante da loucura de uns poucos.
Renata Ventura expõe de maneira clara, objetiva e sensível a tortura, física e emocional, sofrida pelos presos políticos durante a ditadura - não apenas a brasileira; o abuso sexual sofrido por diversas jovens sob a justificativa surreal do boto cor-de-rosa; revive a luta dos estudantes por um Brasil mais justo, democrático e livre; denuncia o assassinato de políticos e expoentes da cultura; e tudo isso sem deixar o plano da fantasia.
O leitor mais sensível notará que A Comissão Chapeleira é, também, um registro da solidão das Américas.
Um personagem torturado, traído, rejeitado pelo pai, compõe o quadro dos perseguidos, presos e torturados; um Hugo que coleciona remorsos e que é incapaz de perdoar a si e ao outro é o retrato da pressão silenciosa e solitária que os jovens, ainda hoje, precisam mudar - ainda que sob o olhar de "esse menino é louco" dos adultos; uma personagem que representa as moças guerreiras e de atitude, que se tornam mães solteiras e que têm que lidar com o amor e o orgulho feridos, personifica o gênero feminino e suas dificuldades reais; uma escola que oscila entre a qualidade e a precariedade do ensino é a nossa mais triste realidade, desde o descobrimento do Brasil.
Com a história mesclada à ficção, com o amor de braços dados ao ódio, A Comissão Chapeleira desperta as mais incríveis emoções no leitor, fazendo-o sorrir com as paixões, fazendo-o vibrar com a defesa dos Orixás e dos Santos, fazendo-o chorar com o curso de uma história intensa e cheia de reviravoltas.
Esse livro é, definitivamente, uma fantasia tão real que chega a brincar com a verdade da própria realidade.


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