Empalidecimento das cores

Ponte Joel Silveira, Aju- SE. Foto: Tito Garcez




É tarde!
Quantas vezes proferimos essa expressão?
De tão pesada, essas seis letras formam o que se poderia dizer de um fim imediato, onde um novo começo iniciara em algum dado momento, na surdina. É tão definitiva que sequer supomos seu real sentido nas consequências que se pode ter ao pronunciá-las para si ou para outrem.
No entanto, é facilmente perceptível detectar o momento em que essa expressão é a única articulação capaz de traduzir um colosso de pensamentos em uma fração mínima de tempo.
É pesada. É definitiva. É auto-explicatica. Mas é fundamental e libertadora.  
Existem diversos é tarde:
É tarde para voltar;
É tarde para ligar;
É tarde para querer;
É tarde para pedir desculpas;
É tarde para tentar reparar;
É tarde para se arrepender;
É tarde para ganhar;
É tarde para perder;
É tarde para refazer;
É tarde...
Quando aceita-se que é tarde, respira-se melhor, dorme-se melhor, come com mais tranquilidade. A qualidade de vida ganha alguns percentuais a mais. Somente quando aceita-se que a realidade não é tão dura assim, nem que há melhor companhia que a própria, com algumas raras exceções, nem que não há o insubstituível, como muitos gostam de bradar para exemplificar a singularidade de pessoas ou momentos, é que se pode dizer que não há medo de errar.
Aliás, esse medo tem um nome mais correto e plausível: hábito. E nem todo hábito é saudável.
É tarde!
Diga isso para seus erros, para seus fantasmas, para si sempre que for necessário!
É tarde para falar de amo, preguiça, sacanagens, trabalho, ódio, ócio, ânsia.
Simplesmente entardeceu.

Tarde demais - Sorriso Maroto

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