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23:58 - Insolência*

Não pergunte quando vou deixar de te amar porque a resposta pode ser dura o suficiente para quebrar tuas pernas em pedaços pequenos demais para serem colados. E não perguntes se ainda te amo já que não desejas ouvir coisas desagradáveis. Não vou medir palavras para a realidade jogar à tua face quando o dia chegar e eu tiver que dizer com a sinceridade dos deuses pagãos tudo o que necessitas ouvir daquele que julgas ser teu amado mais fiel. Não faças de questionamentos insolentes o fim do meu parque de diversão preferido, tampouco torne tudo mais difícil do que já é. Procura não derramar teu pranto falso nos meus lençóis limpos, nem deixar marcas no meu bem mais precioso. Aceita que nós dois somos frutos do descaso e isso torna-nos feitores do mau amor e do mal feito a inocentes criaturas, mas não vítimas do nosso próprio veneno. Se perguntares quantas vezes atento fui a teus detalhes a resposta será a dureza pesada demais para ser carregada em uma única vida, pois tua insignificância se…
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O fim da indolência no Serviço Público

O projeto da senadora Maria do Carmo, DEM-SE, surgiu bem no momento em que os escândalos de corrupção e ingerência do serviço público atingiu patamares mais que absurdos. Segundo o projeto de lei 116/2017 o servidor público que se sair mal em avaliações de desempenho, novos modelos de avaliações porque os atuais de nada servem já que chefias acobertam faltas e infrações leves e gravíssimas de servidores, poderão ser demitidos mesmo possuindo estabilidade. O projeto impopular demorou para ser apresentado e deve ser levado adiante porque, convenhamos, desde o executivo federal ao executivo municipal de diversas cidades há servidores que quando não são um peso para o Erário são, no mínimo, infratores da lei, como podemos observar quase que diariamente em telejornais e in loco.  Passou do prazo para acabarmos com essa história de estabilidade também. É por causa dela que a indolência, a negligência e os atos ilegais são propagados já que servidor estável não pode ser demitido. Alguns pod…

23:55 - Rotina*

Os ventos nada fazem para aplacar o sol no meio da manhã e trazem, em suas embalagens e folhas secas, as provas de um dia que inicia o recomeço de uma rotina apenas vivida entre tantas outras máquinas e distúrbios. As folhas celulósicas trazem os dizeres de amor de um amor distante, a receita de um bolo já degustado, de uma equação inacabada, de um estrume que suja o caminho misturando-se com os passos apressados de qualquer um. Os raios solares penetram na pele, arregaçam as mangas para colocar em prática seu único dever a cumprir. E vão andando para o lado, do rosto, marcando as expressões de horror, amor e desejo, pelas penas ou calças, que passam à frente dos olhos. O caminho é longo, como o é as fases pelas quais precisa passar até chegar ao ponto médio da vida onde, parando para o descanso, acostumará com a preguiça. A luz intensa do astro maior ajuda nas marcações que farão, no tempo transcorrido, a pintar um quadro de triste feiura, aclamado pelo povo como sabedoria. E quem di…

23:49 - Chamado*

Um chamado no portão desperta os sentidos mais inconsciente de ouvidos desatentos no fundo das ondas sonoras do medroso clamor noturno. Poupam-se os demais sentidos da surpresa desmedida feita no entardecer cedo de qualquer hora em que a vontade bate e o desejo salta aos olhos como selvagens feras buscando sua presa mais fácil e abundante. Busca em perigosos terrenos matar essa vontade e no estrangular da voz em desespero surge a imagem vulnerável de outra criatura inabitada que seu desejo pode satisfazer na travessia do mato com o rio. Sem medo ou pudor aterroriza o silêncio reinante e de sua garganta ruge sua vontade mais que apressada em fazer-se tutora de seu alvo em movimento. Desalinha o pensamento em atordoante soneto febril de querer sem limite e do finito querido arranja-lhe as maneiras de superar os obstáculos postos em seu caminho. Aproxima-se de sua presa com o sorriso escorrendo entre dentes e apertos desmedidos, quebrando ossos na volúpia da comida rápida e servida na hor…

Excesso de veneno

Sem nos darmos conta acabamos matando o amor com pequenas doses de veneno. Algumas vezes, não raras, colocamos exageros de paixão ou muitas miligramas de indiferença nesse veneno. Outas vezes nós apenas deixamos de adicionar compreensão nos pequenos impasses da vida. O veneno também é remédio se for bem dosado - ou o inverso também é verdadeiro. Atenção é solução - atenção demais é veneno; amor é solução - amor demais é exagero; sexo é solução - sexo demais é compulsão.  Mas ocorre também que o amor morre na tenra infância quando esquecemos de alimentá-lo com as ações que requerem tempo, paciência e adaptação. Pode ser que nesse processo o amor deixe de ser romântico e passe a ser fraternal; ou deixe de ser puro e seja meramente sexual. Os parâmetros mudam quando mudamos nossa forma de lidar com o outro ou com o mundo e o mais importante não é ter uma pessoa como escora para nossos problemas e fraquezas, mas ter uma pessoa que siga o próprio caminho e, por essa razão, saiba somar qua…

Governo doutrinador da corrupção

Um governo que se estabelece por meio da chantagem e que se firma através da barganha usando como moeda de troca cargos e empregos públicos não pode ser considerado um governo moralmente ético, cidadão e transparente. Em vários países essa prática seria rechaçada e o governo sofreria ações populares. No Brasil, no entanto, de tão comum, essa prática nem é mais percebida e sua ação é tida como normal. Não é, porém, exclusividade do governo Temer que ações de retaliação contra parlamentares que tenham votado contra medidas governamentais aliadas a sanções dentro do próprio partido sejam as armas mais comuns para fazer com que deputados e senadores aprovem medidas impopulares ou que, notadamente, provoque prejuízo ao povo. Fato estranho é que as pessoas que se arvoram éticas e moralmente corretas não se rebelem contra tais práticas e achem natural esse tipo de intervenção no arbítrio parlamentar. O Brasil continuará, a despeito das megaoperações contra a corrupção, corrupto e podre porq…

23:47 - Traição*

Falar é o começo de qualquer bar cheio de bêbados sem casa, agitando a animada conversa no outro lado da rua sem o pudor da intromissão em particular discussão de ex-amados. Na gesticulação de palavras ofensivas estão os casos segredados jogados ao chão como coisas sem valor certa vez ganhadas. E assim enganam os dois em frente a um bar no subúrbio presente do adeus querer bem. Sons são ouvidos entre quentes deslocamentos de ar entre mãos e braços no evitar de um escândalo ainda maior que destrua de uma vez por todas seus últimos resquícios de respeito e bem querer. Para nem mesmo resguardar sua dignidade, não mais una, ser vista no esgoto abaixo, indo embora com o respeito próprio de dois seres em descomunhão está outra história desfeita em outra cama desconhecida na porta frágil de um bordel contemporâneo à moda antiga da rua sem asfalto no endereço do acaso. Vai mais uma vez outra forma de trair encorajada pelo instinto de posse inapropriada de um corpo sem valor. E vai sorrindo sua …