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Senilidade "respeitável"

Almejava ser respeitável. Com a velhice tendo lambido-lhe a face, encurvado as costas e tirado a visão, ela cria ser respeitável. Ledo engano. O tempo em que o único pré-requisito para adquirir a respeitabilidade era a senilidade acabara há muito – antes mesmo dos escândalos que expuseram os vícios e as atrocidades que os velhos (alguns) cometem contra crianças, adultos e outros senis. Restou-lhe, depois de tantos escândalos, conviver com a própria infertilidade, de onde a solidão brota e a enlouquece.
O dinheiro que tão tacanhamente guardou, esquivando-se de pedintes e vendendo-se por parcos e vis centavos, não pode comprar-lhe companhia quando a doença atacou-lhe. E nem pode aplacar-lhe a amargura e o remorso quando, na noite, sua consciência pesou.
Tarde, muito tarde, percebeu que não possuía nada – nem o respeito, nem a decência, nem uma diminuta companhia. A morte, às portas, sequer apiedou-se dela e deixou-a vagar, entrevada, presa à própria casa, por mais uns meses.

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